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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ainda Dos Conceitos II

«A definição mais ampla é a que nos é apresentada pela UNESCO e que passa por ser entendida “ como o conjunto de processos de aprendizagem formal ou não graças aos quais as pessoas cujo o meio social considera adultas e que desenvolvem as suas capacidades , enriquecem os seus conhecimentos e melhoram as suas competências profissionais ou as reorientam , afim de atender às suas principais necessidades e às da sociedade” .
A Educação de Adultos não se reduz à educação permanente, enquanto um padrão de educação global capaz de responder às necessidades dos jovens e adultos , ou à educação continua como uma via mais profissionalizante. Para mim o conceito que mais se aproxima do educação de adultos em sentido estrito é o que nos é apresentado ultimamente no âmbito do ALV- Aprendizagem ao Longo da Vida. O documento da Comissão Europeia de novembro de 2000 define o ALV “como toda atividade de aprendizagem em qualquer momento da vida, com o objetivo de melhorar os conhecimentos, as aptidões e competências no quadro de uma perspetiva pessoal, cívica, social e ou relacionada com o emprego” – Não se reduzindo a Educação de Adultos a esta definição entendo que será aquela que melhor comporta os restantes conceitos que a antecederam.»
Por Fernanda Mexia

«A definição formulada a partir da Conferência de Hamburgo (1997), a educação de adultos é considerada como o “conjunto de processos de aprendizagem, formal e não formal, graças ao qual as pessoas consideradas adultas pela sociedade a que pertencem desenvolvem as suas capacidades, enriquecem os seus conhecimentos e melhoram as suas qualificações técnicas ou profissionais ou as orientam de modo a satisfazerem as suas próprias necessidades e as da sociedade.”
Por Lucinda Henriques

Ainda Dos Conceitos

«Talvez do ponto de vista filosófico, o conceito de formação possa ser entendido como mais abrangente ao reportar-se à formação humana. De qualquer das formas, o termos formação tem vindo a vincular-se à vertente profissional do funcionamento humano e, nesse sentido, acaba por ter um carácter mais redutor.
A formação de adultos, direcionada para o mercado de trabalho, pode integrar-se num campo mais amplo e complexo que é a Educação de Adultos.
Quanto à Aprendizagem ao Longo da Vida, os entendimentos também são diversos, consoante a apropriação que as diferentes organizações intergovernamentais fazem do mesmo. O conceito de Educação Permanente pode ser considerado um precursor do conceito de Aprendizagem ao Longo da Vida.
A Aprendizagem ao Longo da Vida é um princípio orientador e integrador dos conceitos em educação e das políticas educativas, em concreto. Portanto, integra também a Educação e a Formação de Adultos.

Em Portugal, e também no contexto europeu, a Educação de Adultos tendo vindo a direccionar-se de forma privilegiada às questões da formação profissional e às competências para o mercado de trabalho. Convém reflectir se este é a trajectória que se pretende para o futuro da Educação de Adultos.
Do ponto de vista histórico, o conceito de Educação Permanente antecedeu o mais recente princípio da Aprendizagem ao Longo da Vida, no que concerne aos discursos e às políticas educativas, à escala nacional, europeia e planetária. A Educação de Adultos é um campo diverso e heterogéneo de práticas, de enfoques teóricos, de agentes, de contextos de intervenção, mas como se dirige a toda a adultez, integra-se na Aprendizagem ao Longo da Vida que, por sua vez engloba todo o ciclo vital, incluindo a infância e adolescência. No que diz respeito à educação contínua, ela está, efectivamente, conotada e vinculada, (...) à via profissionalizante.»
RB (Rita Barros)

Da Definição de Conceitos


A Educação de Adultos é um conceito de amplo espectro, com diferentes acepções em diferentes países, tempos e contextos, em estreita convivência com o conceito de Formação, embora o primeiro tenha uma maior abrangência, centrada no «querer» aprender cujo objectivo é uma perspectiva de valorização do ser humano. Já o segundo conceito refere-se «grosso modo» a uma valorização ou revalorização profissional, segundo critérios funcionais.

Mas a distinção entre ambas interpenetra-se inserindo-se a última no âmbito da primeira, cujo alcance aumentou, assumindo numerosas vertentes e componentes tipológicas, assim como instituições envolvidas, metodologias, conteúdos, critérios pedagógicos, etc..

Este conceito, definido na actualidade, na sua forma mais consensual, pela XIX Conferência Geral da UNESCO em Nairobi (1976) e reajustada na Conferência de Hamburgo (1997), assenta na num conjunto lato de processos de aprendizagem em que os adultos desenvolvem capacidades, conhecimentos e competências profissionais e não só, evoluindo a nível individual e promovendo concomitantemente o desenvolvimento integral da sociedade a que pertencem.

Este conceito, «de base», foi acrescido pelo de Educação Permanente, implementado a partir da década de Sessenta do séc. XX. O seu pressuposto é o da educação para várias/todas as camadas geracionais, segundo um processo continuado no tempo e no espaço das vivências.

A sua emergência advém da rápida transformação tecnológica, social e económica e cultural a que se assistiu nas últimas décadas do referido século e das transformações demográficas no Ocidente, com acentuado envelhecimento populacional, havendo a necessidade de valorização do «capital humano».

Baseia-se numa concepção dinâmica do ser humano e da noção de «adulto» como passível de renovada apropriação de conteúdos e valorização, num contínuo reavaliar/readaptar dos seus recursos, numa perspectiva integradora do indivíduo, com a multiplicidade das suas diversas valências.

Portanto tem uma dimensão extensiva em relação aos saberes, tem uma dimensão de continuidade, uma vez que se afasta da concepção período de ensino/formação inicial, «fechado» a partir da sua conclusão; diversifica as instituições e agentes educativos; reforça o papel da autonomia e voluntarismo, articulando uma lógica humana (o desenvolvimento do indivíduo como um todo), laboral (a sua valorização profissional e produtiva) e social (incremento do bem-estar e desenvolvimento social e das práticas de cidadania).

À volta desta noção gravitam conceitos como o de Educação Contínua, mais utilizada nos países anglo-saxónicos, reportando-se a actividades educativas após o período de formação inicial. Talvez este termo se aproxime mais da noção de Educação Recorrente, utilizada pela OCDE, que assenta igualmente em oportunidades educativas de menor fôlego, para complemento da formação formal inicial, a serem utilizadas em casos específicos, essencialmente para a valorização profissional, atendendo a pressupostos socioeconómicos.

O conceito de Aprendizagem ao Longo da Vida vem progressivamente apropriar-se do conteúdo da Educação Permanente, sobrepondo a ideia de «aprendizagem» como responsabilidade e vontade individual no percurso educativo, ao de «educação» tradicionalmente institucional (mas não necessariamente).

Este conceito, de grande abrangência, uma vez que abarca todo um percurso de vida, pode apresentar, como o seu antecessor, grande heterogeneidade de destinatários, objectivos, formas e tipos de aprendizagem, modelos, conteúdos, instituições envolvidas, o que dificulta a sua operacionalização. De facto presta-se à multiplicidade de interpretações e logo de aplicabilidade. Mas, aceite pelas principais organizações internacionais, o seu público-alvo preferencial parece continuar a ser o adulto. E para alguns autores possui mesmo um sentido mais restrito do que Educação Permanente, focando-se nas necessidades de empregabilidade e do mercado; para outros trata-se de uma renovada conceptualização do anterior. Contudo, na sua acepção geral, ALV, continua a ser um princípio integrador para a actualização do conhecimento e promoção da competitividade, assim como da coesão e desenvolvimento social, não esquecendo o aspecto da valorização do indivíduo como um todo, tendo em conta a sua experiência de vida e seu enriquecimento interior. No fundo, constitui um princípio básico unificador e propiciador à mudança de paradigma educativo tradicional.

A sua aplicação prática reveste-se de aspectos mais específicos e menos ideais, sendo apropriado pelos contextos específicos de cada instituição que o aplica, debatendo-se entre o seu primeiro sentido humanista e a componente utilitarista, que todavia, não abandona totalmente a sua componente cívica e pessoal.
Eu.